terça-feira, 3 de março de 2020

Você já ouviu falar no Stonehenge Brasileiro?



Quando se fala em Stonehange logo nos vem a cabeça os monolíticos da planície de Salisburg na Inglaterra, mas para nossa surpresa também há um aqui no Brasil, precisamente no estado do Amapá, nas proximidades da cidade litorânea de Calçoene. Lá se encontra cerca de 147 megálitos talhados e colocados no topo de uma colina, formando uma circunferência de 30 m de diâmetro. O maior bloco tem mais de 3 metros e mais de 3 toneladas.
A descoberta do monumento se deu pelo naturalista e zoólogo suiço Emilio Goeldi (1859 - 1917) que organizou uma expedição cientifica nessa região pelo museu paraense, nesta se registrou o sitio de Calçoene. Desde então cria-se teorias a respeito deste, e pesquisas sao realizadas desde então. Em 2006 iniciou-se os estudos dos arqueólogos Mariana Petry Cabral e João Darcy de Moura Saldanha, do instituto de Pesquisas cientificas e Tecnológicas do Estado do Amapa (IEPA), pregressos a estes houve muitos outros pesquisadores interessados nesse conjunto de rochas, cada um trouxe elementos importantes para o entendimento da origem e utilização do conjunto monolítico. Tais como vasilhas cerâmicas inteiras feitas pelos indígenas com um tipo de cerâmica chamada Aristé que foi utilizada até a chegadas dos europeus e urnas funerárias.
Acreditou-se que esta região era utilizada para cerimonias, pois o lugar era pobre demais para aldeias complexas e permanentes, então atribuíram a sítio aos indígenas que desceram do caribe os Aruã, mais tarde está crença veio a cair quando se fez a conclusão de que nenhum vestígio de material desses indígenas foi encontrado.
Cabral e Saldanha fizeram datações por carbono 14 nos poços funerários e todos dataram entre 700 e 1000 anos atrás. Também verificaram que a sombra de um fino megálito desaparece quando o Sol se encontra no ponto mais alto de sua trajetória diurna (passagem meridiana), no solstício do inverno do hemisfério norte. Isso significa que o megálito aponta exatamente para o Sol nesse instante, no dia 21 ou 22 de dezembro, pois o sítio arqueológico fica no hemisfério norte. Com isso se formou a hipótese de que o sítio fora um observatório astronômico.
No Brasil é comum encontrar gnomôns utilizados pelos índios para registrar os movimentos do sol, estudos apontam que estes elaboraram um tipo de relógio solar mais sofisticado pois poderiam fornecer os 4 pontos cardeais, mesmo na ausência do Sol.
Em 1991 Germano Bruno Afonso Físico, graduado em Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Carlos Aurélio Nadal Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná com mestrado em Ciências Geodésicas e doutorado em Ciências Geodésicas pela Universidade Federal do Paraná estudaram um monólito vertical, com cerca de 1,5 m de altura, encontrado em sítio arqueológico às margens do rio Iguaçu, na região que foi inundada pelo reservatório da usina hidrelétrica de Salto Segredo, PR. Ele tinha as faces talhadas artificialmente, apontando para os quatro pontos cardeais, sendo que o topo retangular estava orientado na direção L-O. Em volta desse monólito havia um círculo de pedras menores que, aparentemente, indicavam as direções do nascer e ocaso do sol nas estações do ano.
Germano Afonso, afirma que mesmo no Brasil, monólitos desse tipo são encontrados de norte a sul. O astrônomo diz que, por tudo isso, é difícil determinar quando a tecnologia surgiu por aqui, embora ela certamente tenha vários milhares de anos de idade.
“Em Garopaba, os construtores provavelmente eram índios guaranis”, afirma ele. “É difícil datar os observatórios, no entanto. Você pode datar a cerâmica dos sítios arqueológicos perto deles, mas quem garante que a cerâmica ali foi feita na mesma época em que eles foram montados?”, objeta.
Além do apontamento sobre ser um observatório do céu, se coloca que o sítio de Calçoene possui traços que podem fazer com que os pesquisadores considerem-no um sítio funerário. Isso porque, além dos monólitos circularmente organizados, foram encontradas urnas funerários de cerâmica nas proximidades do sítio e vestígios de vasos decorados, quebrados em estilhaços, que poderiam conter oferendas para os mortos.
O guada-parque do sítio, Sr Lailton Camelo, mais conhecido como "Seu Garrafinha", afirma que há um túnel sob a região do domo de rochas do Stonehenge Amapaense, e este túnel, que está soterrado desde 1998, possui em seu interior maracás, cerâmicas e ornamentos indígenas em uma espécie de câmara mortuária subterrânea.
O que intriga muitos é como foram trazidas as rochas até o local e de onde foram retiradas, visto que não há pedreiras em um raio de mais de 40 km. Qual povo pode ter participado deste fato e como se deu seu desaparecimento, fato é que a região do Rego grande deixa muitas perguntas e escassas explicações.














Fontes:
http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/524/
http://site.mast.br/pdf_volume_1/Arqueoastronomia_no_Brasil_Germano_Afonso.pdf
https://selesnafes.com/2019/06/stonehenge-do-amapa-pode-esconder-camara-mortuaria-subterranea/









Um comentário:

  1. Muito legal, não sabia que tinha geoglifos desse tipo no Brasil. Ótimo texto!

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